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Médico é preso por usar atestados falsos para faltar ao trabalho em unidades do SUS e ir atender em hospital privado no Paraná

Médico é preso por apresentar atestados falsos em unidades de saúde do SUS O médico Jamal Ali Mohamad Abou Fares, foi preso na quinta-feira (7), em Maringá...

Médico é preso por usar atestados falsos para faltar ao trabalho em unidades do SUS e ir atender em hospital privado no Paraná
Médico é preso por usar atestados falsos para faltar ao trabalho em unidades do SUS e ir atender em hospital privado no Paraná (Foto: Reprodução)

Médico é preso por apresentar atestados falsos em unidades de saúde do SUS O médico Jamal Ali Mohamad Abou Fares, foi preso na quinta-feira (7), em Maringá, no norte do Paraná. Ele foi condenado pela Justiça Federal por fraudar o sistema de ponto e apresentar atestados médicos falsos para se ausentar de atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) enquanto trabalhava em um hospital privado da cidade. A sentença contra Jamal foi publicada no dia 14 de abril de 2025. Depois disso, a defesa recorreu ao Tribunal Regional Federal, que revisou a pena. O médico foi condenado a cumprir 13 anos, 11 meses e 22 dias de prisão em regime fechado pelos crimes de estelionato qualificado e inserção de dados falsos em sistema de informações. Após outros recursos da defesa serem negados, o processo transitou em julgado - quando não há mais a possibilidade de recorrer da decisão - e o mandado de prisão contra ele foi expedido para que ele comece a cumprir a pena. ✅ Siga o g1 Maringá e região no WhatsApp Os crimes cometidos por Jamal foram denunciados pelo Ministério Público Federal em outubro de 2018. Neles, foram listadas diversas vezes em que o médico inseriu informações falsas no sistema eletrônico de frequência da Administração de Maringá. Veja mais detalhes abaixo. médico Jamal Ali Mohamad Abou Fares, foi preso na quinta-feira (7), em Maringá, no norte do Paraná. Reprodução Na época, o município instaurou um processo administrativo disciplinar para apurar a conduta de Jamal. De acordo com o MP, durante a apuração, membros da comissão tiveram que notificar o médico no Centro de Especialidades Médicas de um hospital privado de Maringá, pois não o encontraram na Unidade Básica de Saúde, mesmo após ele ter "batido" o ponto eletrônico no local. Depois da investigação, o médico foi demitido por justa causa do trabalho nas unidades públicas de saúde, no dia 3 de julho de 2017. Mesmo assim, na condenação, o juiz determinou a perda da função pública de médico do programa Estratégia Saúde da Família. "Ressalto que o fato de o réu ter sido demitido no processo administrativo disciplinar não impede a decretação da perda do cargo na esfera penal em razão da independência das instâncias", determinou o juiz. Nas eleições municipais de 2024, o médico se candidatou a vereador pelo PSDB e recebeu 838 votos, ficando como suplente. Contudo, com a condenação, o juiz determinou a perda do mandato eletivo. Na sentença, também foi solicitado que o médico pague R$ 170.038,62 de ressarcimento aos cofres públicos. No momento, Jamal está preso na Penitenciária Estadual de Maringá. O g1 procurou o advogado Claudemir Santoro, que atua na defesa do médico. Ele informou que, no momento, não vai se manifestar a respeito da prisão. Leia também: Sonho: Paranaense tenta há 16 anos trazer para o Brasil ônibus que comprou no Canadá Decisão da Justiça: Ginecologista de 81 anos do PR acusado de estuprar paciente é solto Veja vídeo: Gusttavo Lima interrompe show no Paraná após tempestade queimar equipamentos Apresentação de atestados falsos O MP também descobriu que várias vezes, entre os anos de 2016 e 2017, Jamal apresentou atestados falsos e obteve auxílio-doença junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mesmo realizando atendimentos particulares em um hospital privado. "Em 01/04/2016, o réu se afastou novamente do emprego público e, em seguida, requereu e obteve, perante a Agência da Previdência Social em Maringá, o auxílio-doença, recebendo o benefício (pagamentos efetuados de R$ 4.399,07 e R$ 4.550,77) durante o período de 02/05/2016 a 30/06/2016. Do mesmo modo, continuou a prestar atendimentos no Centro de Especialidades Médicas durante as manhãs dos dias úteis em tal período", diz a sentença. Entre os meses de outubro e novembro de 2016, e em janeiro e abril de 2017, Jamal apresentou outros atestados médicos, mas continuou atendendo em outros locais. Fraudes no sistema de ponto De acordo com a sentença, Jamal foi contratado pela Prefeitura de Maringá em regime CLT, por meio de um concurso público, para trabalhar oito horas diárias ou quarenta horas semanais no Programa Estratégia Saúde da Família na Unidade Básica de Saúde do Jardim Alvorada 1. Entretanto, as investigações apuraram que o médico rotineiramente deixava a unidade, ainda nas primeiras horas do expediente, para realizar atendimentos particulares. Veja abaixo em quais períodos as condutas foram registradas: De janeiro a junho e de agosto a novembro de 2015: inseriu declarações falsas nas folhas de ponto, dizendo que estava cumprindo a jornada de trabalho, mas prestou atendimento em um hospital particular no mesmo horário em que deveria estar na UBS. Em maio de 2014 e julho de 2015: inseriu declarações falsas nas folhas de ponto, dizendo que estava cumprindo a jornada de trabalho, enquanto, na verdade, viajou para os Estados Unidos. Entre novembro de 2016 e junho de 2017: inseriu declarações falsas no sistema de controle eletrônico, dizendo que estava cumprindo a jornada de trabalho, mas prestou atendimento em um hospital particular no mesmo horário em que deveria estar na UBS. Além disso, o MP apurou que Jamal frequentemente saía do posto de saúde sem autorização para atender pacientes no Centro de Especialidades Médicas do hospital privado. Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias em g1 Norte e Noroeste.