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Funcionário de farmácia morto a tiros no Paraná: autor esperou 'momento oportuno' por 42 minutos antes de cometer crime, diz sentença

Funcionário de farmácia é morto a tiros enquanto trabalhava no Paraná Jander Bezerra da Silva esperou por 42 minutos até ter "o momento oportuno", antes de...

Funcionário de farmácia morto a tiros no Paraná: autor esperou 'momento oportuno' por 42 minutos antes de cometer crime, diz sentença
Funcionário de farmácia morto a tiros no Paraná: autor esperou 'momento oportuno' por 42 minutos antes de cometer crime, diz sentença (Foto: Reprodução)

Funcionário de farmácia é morto a tiros enquanto trabalhava no Paraná Jander Bezerra da Silva esperou por 42 minutos até ter "o momento oportuno", antes de matar William Aparecido Henrique Ferreira, de 25 anos, em uma farmácia de Londrina, no norte do Paraná. A informação foi descrita na sentença dele, que o condenou a 16 anos e seis meses de prisão pelo crime. Conforme a decisão do tribunal do júri, realizado nesta terça-feira (10), Jander cometeu homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. A defesa dele informou que apresentou recurso sobre a decisão. Leia a manifestação na íntegra clicando aqui. No dia 27 de fevereiro de 2025, uma câmera de segurança da farmácia onde William trabalhava filmou o momento em que o homem entra no local, chama o jovem e atira contra ele. Assista acima. ✅ Siga o g1 Londrina e região no WhatsApp A sentença cita que a perícia no celular de Jander também encontrou vídeos do réu manuseando uma arma semelhante à usada no crime, gravados cinco dias antes do assassinato. "Some-se a isso o fato de que, conforme apurado, o réu permaneceu por aproximadamente 42 minutos nas imediações da farmácia, aguardando o momento oportuno para a execução, o que afasta qualquer hipótese de impulso momentâneo ou reação emocional imediata, revelando frieza, autocontrole e firme determinação em ceifar a vida da vítima, conforme relatório constante nos autos principais [...]", consta na sentença. Jander se recusou a falar no interrogatório como conseguiu a arma, mas disse que não planejou o crime. Crime aconteceu em fevereiro de 2025 e julgamento foi feito um ano depois. PM-PR/Reprodução Entretanto, ele contou que cometeu o crime porque sabia que a esposa dele e William se relacionaram brevemente enquanto a mulher estava solteira. Jander disse ter lido no celular da companheira, antes do homicídio, que o jovem pretendia estudar na mesma faculdade que ela. "Fiquei com muitos ciúmes, perdi a cabeça", relatou. À época do crime, o delegado Miguel Chibani, da Polícia Civil (PC-PR) apurou que essa relação havia acontecido há mais de um ano, ou seja, em entre 2023 e 2024. "[...] demonstra de forma clara e objetiva que o delito foi premeditado, fruto de planejamento prévio e reflexão prolongada por dias", diz a sentença. Relembre o caso: Como foi o crime Quem é William Como Jander foi identificado e preso O que diz a defesa Vítima tentou correr, mas foi atingida pelos diparos. PM-PR Como foi o crime? No dia 27 de fevereiro de 2025, por volta das 11h25, Jander entrou na farmácia, na Avenida Inglaterra, e pediu diretamente a William um medicamento. As imagens divulgadas mostram a vítima indo até as prateleiras, momento em que o homem aponta o revólver na cabeça dela e tenta disparar pela primeira vez, mas a arma falha. A gravação também mostra que William escutou o barulho e se afastou. Em seguida, foi atingido por pelo menos dois disparos. O atirador saiu correndo e fugiu em uma motocicleta, de acordo com a Polícia Militar (PM-PR). Ele usava boné, mochila, moletom com capuz e calça. Apesar da chegada do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate), William não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Leia também: Tragédia: Criança de 5 anos morre atropelada por caminhão no Paraná Investigação: Motorista preso no PR por transportar medicamento usado em canetas emagrecedoras foi pago para levar carga até Guarulhos (SP) e estava na 2ª viagem ÁUDIO: reação calma de pai que viu filhos soltarem freio de mão de carro no Paraná gera onda de elogios nas redes Quem é William William Aparecido Henrique Ferreira era de Cambará, mas vivia em Londrina. As cidades ficam a 137 quilômetros de distância. Ele completou 25 anos em janeiro de 2025 e trabalhava na rede de farmácias há três anos, segundo a polícia. Como Jander foi identificado e preso Assim que o crime aconteceu, a PM recebeu informações anônimas sobre a identidade do suspeito. Os detalhes foram repassados à Polícia Civil, que iniciou as investigações. "Como não tinha ligação com tráfico, prostituição, agiotagem, que poderia ser um caso passional ligado a uma relação afetiva que a vítima pudesse ter mantido. Isso foi um dos critérios que a gente conseguiu identificar o agente do fato", disse o delegado Miguel Chibani em entrevista à RPC. Os policiais chegaram até a casa de Jander Bezerra da Silva, onde tiveram a entrada permitida pela esposa do suspeito. No local, de acordo com o termo de audiência, foi encontrada a moto que a polícia apurou ter sido usada no crime. Os policiais também localizaram porções de maconha, cocaína e uma droga psicotrópica (MDMA) no imóvel, além de balança e embalagens. A suspeita é de que o homem faz separação das substâncias para o tráfico. Após, Jander foi encontrado no trabalho, em um mercado. A PM comunicou sobre a prisão do suspeito por volta das 15h40 do mesmo dia. À polícia, o homem negou ter atirado em William e disse que não estava na farmácia no momento do crime. A polícia apurou que Jander combinou com o patrão, três dias antes da morte, que na quinta-feira, data da ocorrência, sairia do trabalho às 11h porque precisava levar os filhos ao médico. Em depoimento ao delegado, entretanto, o suspeito disse que estava em casa almoçando naquele horário. Um boné, reconhecido como sendo de Jander, foi colhido na cena do homicídio. Ele se recusou a fornecer material genético para ser comparado aos fios de cabelo encontrados no acessório. No julgamento, Jander confessou que atirou uma vez e o tiro atingiu a cabeça do jovem. O que diz a defesa A advogada Indyanara Pini, que representa Jander, informou que apresentou recurso sobre a decisão do júri. Leia a nota na íntegra: "Ontem, durante o julgamento pelo plenário do júri a defesa do Jander buscou o afastamento das qualificadoras do crime, motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. Apesar das provas de que o crime foi passional, as qualificadoras foram mantidas. A sentença fixou a pena de 16 anos e 6 meses, e, já no ato foi interposto recurso de apelação. As razões do recurso serão apresentadas na próxima semana e, na sequência, o processo seguirá ao TJPR para julgamento." VÍDEOS: Mais assistidos do g1 PR Veja mais notícias em g1 Norte e Noroeste.