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Drone agrícola: o que avaliar antes de investir na tecnologia

Decidir pelo investimento vai além do preço Pergunte a um produtor rural como está a agricultura. A resposta pode não ser das mais animadoras. Nos últimos ...

Drone agrícola: o que avaliar antes de investir na tecnologia
Drone agrícola: o que avaliar antes de investir na tecnologia (Foto: Reprodução)

Decidir pelo investimento vai além do preço Pergunte a um produtor rural como está a agricultura. A resposta pode não ser das mais animadoras. Nos últimos anos, juros elevados, custos de operação e impactos do clima passaram a pesar ainda mais nas decisões de quem precisa planejar a próxima safra. Para quem avalia a compra de uma máquina ou tecnologia, a conta não envolve apenas o preço do equipamento. Crédito, necessidade da propriedade, área atendida e condições de trabalho também entram nessa análise. Em setembro de 2026, o Banco Central definiu a Selic em 13,75% ao ano. Para quem busca financiamento, existem linhas específicas para o setor agrícola. O Moderfrota, que faz parte do Plano Safra, contempla a aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas. Nas condições informadas pela Caixa, as taxas chegam a 11,5% ao ano para produtores enquadrados no Pronamp e a 12,5% para as demais operações. Fonte: Banco Central e Caixa Econômica Federal. O Plano Safra 2026/2027 também prevê recursos para investimentos, modernização das propriedades, aquisição de máquinas e equipamentos e adoção de tecnologias. Nesse cenário, a escolha do equipamento precisa considerar não apenas o valor de compra, mas como aquela tecnologia se encaixa na rotina da propriedade. Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária. O clima também pesa na decisão O produtor sabe que não é possível planejar uma safra olhando apenas para a planilha. No Paraná, a soja da safra 2021/2022 foi fortemente afetada pela estiagem. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), a produção teve uma quebra de 45% em relação à estimativa inicial. O milho da primeira safra também registrou perda estimada em 32% naquele ciclo. Fonte: Deral/Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná. Os anos seguintes também trouxeram situações diferentes. Em 2024, o IDR-Paraná registrou períodos de estiagem, temperaturas elevadas, chuvas irregulares e chuvas intensas que afetaram culturas agrícolas no estado. Na soja, o órgão apontou impactos de estiagem, distribuição irregular das chuvas e temperaturas elevadas. No milho, foram registrados efeitos de estiagem, calor e ataque de pragas. Fonte: IDR-Paraná. Em períodos de chuva, surge ainda outra dificuldade: o excesso de água pode impedir a entrada de equipamentos terrestres na lavoura. Com o solo encharcado, o produtor pode ter dificuldade para realizar a pulverização com máquinas convencionais. Há ainda o efeito da passagem desses equipamentos sobre a cultura. Um trabalho da Embrapa citado pela Pulver Farm aponta perdas de 5% a 7% por amassamento provocado pelo pulverizador. No caso do drone, a aplicação é feita sobre a cultura, sem a necessidade de passar com a máquina diretamente sobre as plantas. É nesse cenário que o drone agrícola pode ser avaliado como uma alternativa para complementar determinadas operações de manejo e tratamento da lavoura, especialmente quando as condições do campo reduzem as possibilidades de uso de equipamentos terrestres. O drone agrícola não começa no voo Para a Pulver Farm, que iniciou sua trajetória prestando serviços com drones agrícolas, a discussão sobre a tecnologia começa antes de o equipamento levantar voo. A experiência nas operações mostrou que a rotina envolve muito mais do que a aplicação. É preciso preparar a calda, organizar o abastecimento, acompanhar as baterias, fazer o mapeamento da área e manter uma estrutura capaz de dar continuidade ao trabalho. Por isso, o drone pode ser avaliado como uma alternativa para complementar determinadas operações realizadas com máquinas agrícolas, de acordo com a realidade de cada propriedade. A tecnologia também pode ser utilizada em atividades de prestação de serviços. Nesse caso, a conta muda: além do equipamento, entram na avaliação o tamanho das áreas atendidas, os deslocamentos, a manutenção, as baterias, o abastecimento e as condições climáticas para realizar as aplicações. Para o produtor, a estrutura deve ser compatível com o tamanho da área e as condições de acesso. Já quem presta serviços precisa considerar também a cultura atendida, a distância entre as propriedades e o nível de investimento necessário. Uma estrutura adequada para atender áreas extensas pode não ser a mesma para operações em locais menores ou de acesso mais restrito. Tecnologia pode abrir novas possibilidades no campo O interesse pelo drone agrícola não está relacionado apenas à pulverização. Existe hoje uma variedade de equipamentos e funções. Na linha DJI Agras, por exemplo, há modelos voltados à pulverização e à distribuição de sólidos, como sementes e fertilizantes. Entre os modelos mais recentes estão o DJI Agras T25P, o T55, o T70P e o T100, com diferentes capacidades de acordo com a finalidade de uso. Além dos equipamentos destinados às aplicações, também existem drones voltados ao mapeamento e à coleta de informações sobre as áreas agrícolas. Segundo a Pulver Farm, esse tipo de recurso amplia as possibilidades de uso da tecnologia no campo. A tecnologia também despertou o interesse de pessoas que vivem no campo e de quem busca atuar na prestação de serviços agrícolas. Em alguns casos, segundo a empresa, filhos que inicialmente não pretendiam permanecer na atividade rural passam a se interessar pela operação justamente pelo contato com a tecnologia. Como funciona a pulverização com drone agrícola A pulverização com drone possui uma dinâmica diferente daquela realizada por um pulverizador terrestre. Segundo informações da Pulver Farm, alguns dos equipamentos utilizados pela empresa podem trabalhar a cerca de 5 ou 6 metros de altura. A velocidade varia conforme o modelo e as condições da operação. Alguns modelos chegam a 36 km/h, enquanto outros podem alcançar até 72 km/h. A velocidade de voo para a pulverização depende das condições climáticas, também consideradas como parâmetro de voo. Esse parâmetro define a velocidade, a altura, o tamanho da faixa, a vazão e o tamanho da gota que será utilizado em cada caso. A pulverização utiliza um sistema de disco rotativo e pode trabalhar com volumes de água diferentes dos utilizados em equipamentos terrestres. Segundo a empresa, determinadas aplicações podem utilizar cerca de 10% do volume de água empregado em um pulverizador convencional. Outro elemento considerado na operação é o downwash, movimento de ar produzido pelas hélices do drone durante o voo. De acordo com a Pulver Farm, esse fluxo movimenta as gotas e a própria cultura, interferindo na deposição durante a pulverização. Para o manejo de doenças e pragas, a empresa destaca a importância de considerar onde as gotas chegam e como ocorre a cobertura da aplicação. Teste avaliou a faixa de pulverização Para entender melhor esse comportamento, a Pulver Farm realizou um teste com drones da linha Agras. Segundo a empresa, o experimento utilizou o método de espectrofotometria com fio para avaliar a faixa de pulverização. A análise considera a faixa total, relacionada à área alcançada pela deposição das gotas, e a faixa efetiva, que considera a deposição em quantidade e qualidade adequadas ao alvo, conforme os critérios utilizados no teste. Para a Pulver Farm, o experimento reforçou a importância de trabalhar com velocidade e faixa de aplicação adequadas ao equipamento. A empresa ressalta que a lógica de operação de um drone agrícola é diferente daquela de um pulverizador convencional. Os resultados completos do experimento podem ser consultados nos canais digitais da empresa, que também reúne conteúdos sobre testes e aplicações realizados com drones agrícolas. Antes de comprar, é preciso pensar na operação Esta imagem é referente ao dia do teste e mostra todos os modelos utilizados no experimento. Divulgação/Pulver Farm. Uma das primeiras dúvidas de quem considera comprar um drone agrícola é saber se será muito complexo aprender a pilotá-lo. Segundo a Pulver Farm, parte da operação pode ser automatizada. O mapeamento da área é uma das etapas que exige atenção. Depois de definida a área de trabalho, o equipamento pode seguir a programação estabelecida enquanto o operador acompanha a aplicação. Isso significa que algumas das etapas que podem parecer mais complexas não precisam ser controladas manualmente durante todo o trabalho. O equipamento pode executar a programação definida pelo operador enquanto ele acompanha a aplicação. Também existe uma rotina de abastecimento e troca de baterias. De acordo com a empresa, o intervalo entre as operações pode ficar próximo de 10 minutos, dependendo das condições de trabalho. A Pulver Farm afirma ainda que o abastecimento e a troca da bateria podem ser realizados em menos de três minutos em determinadas situações. Esse intervalo passa a fazer parte da produtividade da operação. Quanto mais organizada estiver a estrutura de apoio, menos interrupções são necessárias entre os voos. O suporte técnico faz parte da escolha Existe outro ponto que costuma aparecer depois da compra, mas que, para a Pulver Farm, deveria entrar na decisão desde o começo: o suporte. Um drone agrícola trabalha em contato com poeira, água, produtos utilizados no manejo e diferentes condições de campo. Como qualquer equipamento, precisa de manutenção e pode apresentar problemas durante a operação. Por isso, a empresa recomenda que o produtor conheça a estrutura de assistência técnica antes de fechar a compra, verifique a disponibilidade de peças e entenda quem será responsável pelo atendimento quando surgir uma dúvida ou necessidade de manutenção. A Pulver Farm informa que mantém sua matriz em Campo Mourão, no Paraná, além de quatro filiais no oeste do estado. Quanto um drone agrícola consegue aplicar por voo A capacidade de aplicação não depende apenas do tamanho do tanque. O rendimento também está relacionado ao volume de calda utilizado por hectare e às características da operação. Segundo a Pulver Farm, os drones podem apresentar um rendimento por voo de até 8 hectares, considerando uma aplicação de 10 litros por hectare e o modelo do drone. Os números são referências apresentadas pela empresa e podem variar de acordo com o volume utilizado, o modelo do drone, a operação e as condições do trabalho. A relação entre carga e bateria também entra na conta. Uma aplicação com 50 litros pode representar uma carga próxima de 55 kg em um equipamento da categoria correspondente. A capacidade deve ser analisada de acordo com o modelo e a finalidade da operação. O drone precisa de uma estrutura para funcionar Comprar o equipamento é apenas uma parte da operação. A área que será atendida influencia, por exemplo, o tamanho dos misturadores necessários para preparar a calda. Dependendo da atividade, também podem ser necessários tanque de água limpa, gerador, baterias, espaço para abastecimento e uma estrutura para transportar e organizar os equipamentos. Foi trabalhando com prestação de serviços que a Pulver Farm, segundo a própria empresa, começou a identificar essas necessidades no dia a dia. A experiência levou ao desenvolvimento da linha Farm Mix, que reúne misturadores de 220 litros, 300 litros, 725 litros e 1.250 litros de calda. As estruturas também podem ser dimensionadas de acordo com a operação. Segundo a empresa, um tanque de 725 litros pode ser instalado em uma estrutura preparada para trabalhar com duas unidades. Nesse caso, a capacidade total chega a 1.450 litros, com um tanque destinado à água limpa e outro ao preparo da calda. A empresa também oferece estruturas para carretinhas, caminhonetes ou caminhão, dependendo da necessidade do cliente, com tanques de água limpa e misturador integrado, além de estruturas maiores, como Farm Station e Farm Smart. A proposta, segundo a Pulver Farm, é organizar os equipamentos que dão suporte à aplicação e facilitar uma rotina que envolve preparo da calda, abastecimento, troca de baterias e deslocamento. O que avaliar antes de investir em um drone agrícola Drone agrícola é utilizado em campo para apoiar operações de pulverização e manejo da lavoura. Divulgação/Pulver Farm. O drone agrícola pode ser uma alternativa para diferentes tipos de operação, mas a decisão de compra começa pela realidade de cada propriedade ou serviço. Área atendida, tipo de aplicação, capacidade do equipamento, volume de calda, autonomia das baterias, estrutura de apoio, manutenção e assistência técnica são alguns dos pontos que entram nessa avaliação. Para quem está conhecendo a tecnologia, conversar com produtores e operadores que já trabalham com drones agrícolas também pode ajudar a entender como funciona a rotina depois da compra. Atualmente, a Pulver Farm oferece um ecossistema de soluções para quem trabalha com drones agrícolas. No fim, a decisão não está apenas em escolher um drone. Está em entender como ele vai entrar na operação, qual estrutura será necessária e como a tecnologia pode ser utilizada dentro da realidade de cada propriedade.