Após perícia em 50 postos de combustíveis de Curitiba e região, oito pessoas são indiciadas por fraudes e adulteração
De 50 postos analisados em Curitiba e Região, 44 abasteciam menos do que o indicado na nota fiscal, aponta laudo da Polícia Federal TV Sergipe/Reprodução A ...
De 50 postos analisados em Curitiba e Região, 44 abasteciam menos do que o indicado na nota fiscal, aponta laudo da Polícia Federal TV Sergipe/Reprodução A Polícia Federal (PF) indiciou oito pessoas por fraudes e adulteração em postos de combustíveis em Curitiba e na Região Metropolitana. Os nomes deles não foram divulgados. A corporação analisou 50 postos de combustíveis. As investigações apontaram que o esquema acontecia de duas formas: fornecendo menos combustível do que o indicado na bomba, ou aumentando a quantidade do etanol adicionado à gasolina. Leia detalhes a seguir. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp Conforme a Polícia Federal, os oito investigados foram indiciados por estelionato – por usar artifício ardiloso para induzir o consumidor ao erro e obter vantagem ilícita – e por crime contra a ordem econômica – pela aquisição e revenda de combustíveis em desacordo com as normas legais. Segundo a Polícia Federal, os indiciados foram identificados como o núcleo de comando e gestão da rede de postos. Somadas, as penas podem chegar a 40 anos de reclusão para cada um deles. Por meio de nota, o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Paranapetro) afirmou que a infiltração do crime organizado no segmento de combustíveis de todo o Brasil é um problema grave e que investigações como esta são importantes para combater a ilegalidade no segmento. LEIA TAMBÉM: Quase 800 mil multas em 2025: veja onde ficam os radares que mais multaram em Curitiba 'Cuide dela, por Deus': Cadela cega é abandonada em igreja com bilhete pedindo acolhimento Mãe espanca filhas: Juiz cita lei Henry Borel para estabelecer medidas protetivas às adolescentes Gasolina a menos e qualidade inferior Laudo da Polícia Federal detalha resultados das amostras dos combustíveis Durante as investigações, agentes da Polícia Federal coletaram, disfarçados, as amostras de gasolina comum para a investigação que apura a adulteração na qualidade dos combustíveis ou na quantidade indicada na bomba. As coletas aconteceram entre os dias 26 de maio de 6 de junho de 2025. Segundo o laudo da perícia ao qual a RPC teve acesso, apenas 6 das 50 amostras coletadas apresentaram a quantidade correspondente ao que estava descrito na nota fiscal fornecida pelos postos. Nos outros 44 casos, os postos forneceram menos combustível do que o indicado na bomba, com diferenças que variaram de 1% até 8,1% a menos do que o pago pelo consumidor. O Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) determina que a variação aceitável entre o volume real e o informado é de até 0,5% para mais ou para menos. Aparência dos combustíveis coletados foram analisadas Reprodução/RPC A perícia também analisou o se o aspecto, o teor de etanol e a massa específica estavam dentro das especificações de qualidade determinadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A análise apontou que 28 das 50 amostras apresentaram qualidade inferior do que o exigido. Na análise da aparência, uma amostra foi reprovada, porque não apresentou aspecto límpido, homogêneo e isento de purezas. Em relação ao teor do etanol adicionado à gasolina, 28 amostras apresentaram valores acima do permitido. Nesta avaliação, as amostras reprovadas tinham de 35% a 79% de álcool misturado à gasolina – na época da coleta das amostras, a quantidade máxima de etanol adicionado permitido era de 27%, com margem de variação aceitável de até 2% para mais ou para menos. A prática, conforme a Polícia Federal, além de configurar crime, causa danos diretos aos veículos dos consumidores e aumenta artificialmente o lucro dos criminosos. Ligação com o crime organizado Postos de combustíveis eram usados para lavagem de dinheiro RPC A investigação demonstrou que a fraude nos postos era a base de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro do crime organizado. Os lucros obtidos enganando o consumidor eram reinjetados em uma estrutura financeira que movimentou bilhões de reais, utilizando empresas de fachada e "laranjas" profissionais para ocultar a origem ilícita dos recursos. De acordo com a PF, as investigações tiveram início em 2023, quando um homem condenado por tráfico internacional e a esposa passaram a ostentar bens de luxo em um condomínio de alto padrão em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. O casal tinha mais de R$ 34 milhões sem origem lícita comprovada aplicados em imóveis, veículos, barcos e outros artigos de luxo. Durante as apurações, os agentes descobriram que eles se associaram a integrantes de uma empresa de produtos químicos e de uma distribuidora de petróleo com sede administrativa em Pinhais e sede operacional em Paulínia (SP). Com uma empresa de comércio de produtos químicos, compraram insumos como nafta e metanol, usados em misturas ilegais de combustíveis. Em 2019, criaram uma distribuidora de petróleo que entre 2020 e 2023 declarou faturamento de mais de R$ 7 bilhões. Segundo a PF, a companhia foi criada e funcionou com recursos ilícitos. A investigação apontou que essa distribuidora estava ligada a pessoas citadas em esquemas de fraude de combustíveis em São Paulo e no Rio de Janeiro, inclusive com conexões a facções criminosas. A PF explicou que a lavagem de dinheiro seguia três etapas: colocação, dissimulação e integração. Colocação: o dinheiro ilegal entrava na economia formal por depósitos em espécie, muitas vezes fracionados em pequenas transações, além de transferências feitas por empresas de fachada registradas em nome de laranjas. Dissimulação: os valores circulavam entre diferentes empresas do grupo, com simulações de operações e fraudes fiscais. Integração: os recursos voltavam ao mercado como se fossem legais, registrados em contabilidade fraudulenta da distribuidora. Ao todo, foram identificados R$ 594 milhões em depósitos em espécie sem origem comprovada. Parte do dinheiro foi disfarçada como "adiantamento de clientes" ou movimentada por postos e lojas de conveniência. Os valores eram transportados em carros-fortes de empresas de pagamento também controladas pelo grupo. Além disso: R$ 148 milhões entraram diretamente nas contas da distribuidora; R$ 203 milhões foram depositados nas contas de postos e conveniências; R$ 163 milhões foram para uma instituição de pagamentos do próprio grupo, usada como "barreira" para ocultar a origem; R$ 80 milhões foram distribuídos em contas de 13 operadoras financeiras; R$ 482 milhões vieram de empresas de fachada ligadas a São Paulo. Mais de 120 empresas suspeitas ainda transferiram cerca de R$ 1,4 bilhão sem qualquer justificativa. No total, os investigadores estimam que mais de R$ 20 bilhões tenham circulado entre 2019 e 2025 em empresas sem declarações fiscais correspondentes. Operação mira 46 postos de Curitiba por lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.